Quando a pesquisa faz a diferença
Quando a pesquisa faz toda a diferença
Por Sucena Shkrada Resk, para o Itescs
Aliar visão de mercado à força de vontade foi a combinação perfeita há 6 anos, para o fomento do processo de inovação tecnológica, que resultou em 2005, no pioneiro software brasileiro de Monitoramento IP, o Digifort – Sistema de Segurança Digital, da empresa Systrade Tecnologia, de São Caetano do Sul. O “professor pardal” responsável pelo o produto foi o então estudante de Ciências da Computação do IMES, atual Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), Eric Fleming Bonilha, hoje, aos 24 anos e com diploma na mão. A iniciativa garantiu à empresa da família reconhecimento no setor.
Eric e o pai Carlos Eduardo Bonilha, sócio-proprietário da Systrade - que é uma das empresas fundadoras e associadas do Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul (Itescs) - contam que o desenvolvimento do software surgiu de uma situação “aparentemente” corriqueira do dia-a-dia dos negócios.
“À época, revendemos uma câmera IP a um condomínio na Serra da Cantareira, em São Paulo, quando surgiu o seguinte problema – Não havia produto nacional para poder gravar as imagens. Foi aí que resolvemos desenvolver um, já que Eric programava sistemas para a empresa”, diz Carlos. Mas até este momento, o foco era solucionar somente o problema do cliente. Os empresários não imaginavam que a pesquisa pudesse ganhar dimensão de mercado.
“Durante quatro meses, me dediquei ao projeto, nas horas vagas em casa e depois do trabalho, que foi consumindo meus fins-de-semana e férias. Meu nível de conhecimento ainda era autodidata, então, meu pai decidiu adquirir com recursos próprios, bibliografia estrangeira sobre o tema, para eu poder aprimorar o desenvolvimento da pesquisa”, diz Eric. Dessa imersão, surgiu o primeiro protótipo do Digifort. Paralelamente, o programador foi adquirindo mais conhecimentos nos laboratórios da faculdade.
Primeiros resultados incentivam imersão
Os primeiros resultados da aplicação do software foram promissores e incentivaram a família Bonilha a pensar mais alto, já que o mercado nacional era predominantemente de monitoramento analógico. “Percebemos que poderíamos criar a versão nacional de videomonitoramento IP e concorrer com os estrangeiros (principalmente dinamarqueses e norte-americanos). Por isso, resolvemos investir mais recursos. Na época, desconhecíamos o procedimento para adquirir as linhas de financiamento de pesquisas”, conta Carlos Bonilha.
A iniciativa foi o passo decisivo para a Systrade emplacar o Digifort no mercado, e recuperar o investimento inicial de R$ 400 mil, após um ano de comercialização, segundo o empresário. Demorou mais um ano para que o produto recebesse a patente por meio do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Somas de conhecimentos
Eric Bonilha esteve na experiência-solo à frente do processo de inovação tecnológica até a versão 4 do produto. Nas seguintes, reconheceu que a soma de potenciais profissionais é estratégica para a expansão dos negócios. Para isso, foi atrás de reforços e, com isso, a Systrade contratou Francisco Zanini, 24 anos, também formado em sua turma, no curso de Ciência de Computação do Imes (atual USCS). E mais recentemente a equipe cresceu com o ingresso de Everton Soares Manso, 19 anos, estudante do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Faculdade de Tecnologia Termomecânica, de São Bernardo do Campo.
O trio de jovens programadores se dedica horas a fio ao aprimoramento da linha de videomonitoramento, que se tornou um desafio instigante, segundo Eric Bonilha, hoje diretor de Tecnologia. “Nós estamos sempre procurando coisas novas, ao mesmo tempo, que ouvimos as necessidades dos clientes, porque o desenvolvimento de pesquisa tem de ser contínuo”, afirma o diretor.
A ampliação do quadro técnico não é por acaso, segundo o proprietário da Systrade, Carlos Bonilha, já que a demanda de mercado exige constante modernização do produto. O crescimento da empresa resultou, de fato, em mais geração de emprego, totalizando 20 vagas preenchidas.

Equipe de inovação: da esquerda para a direita – Everton, Eric (ao centro) e Francisco
Valor agregado é indispensável
O núcleo de inovação não tem tempo a perder, segundo o empresário de São Caetano do Sul. “Em 2006, implementamos o sistema de automação no Digifort, para que o software pudesse ser controlado de qualquer lugar do mundo pela empresa que o adquira”, conta. No mesmo ano, foi agregado um sistema de alarme ao produto.
Em 2008, a novidade é a inserção de um sistema de controle de acesso integrado. “É uma ferramenta destinada para controlar a circulação de pessoas em determinado ambiente, por meio de interatividade com outras plataformas, como a biometria, e também um módulo de reconhecimento e identificação de placas de automóveis. Em 2009, novos módulos analíticos estão previstos”, explica.
Mapa sinótico facilita cobertura
A versão 6 (mais recente) traz como valor agregado, um mapa sinótico, que possibilita ao usuário fazer telemonitoramento total de uma planta industrial, de um edifício etc, que não exige que todas as imagens estejam abertas. “Caso haja alguma ocorrência em determinado ponto onde há as câmeras/alarmes, é sinalizado este registro. Daí só é necessário clicar sobre o link do equipamento para acompanhar a situação”, explica o empresário.
Em cerca de três anos de comercialização, o Digifort já é adquirido por clientes no exterior, além da carteira nacional. “Empresas da Venezuela, EUA e Portugal compraram o software. Agora estamos em negociação com uma distribuidora para toda a América Latina e Europa”, diz Carlos Bonilha. Para isso, a empresa criou a versão em inglês e está preparando outra em espanhol.
“O nosso desafio é expandir mercado, por isso, estamos implementando o suporte técnico também em espanhol, com o objetivo de atender toda a América Latina”, diz o empresário de São Caetano do Sul.
No Brasil, o software já tem uma reconhecida presença no mercado de IP Surveillance na sua categoria e trabalha com mais de 350 modelos de câmeras e vídeo servers.
Funcionalidade resulta em reconhecimento
O Digifort, com isso, já garantiu algumas conquistas, como a credibilidade do sistema na Panasonic do Brasil, que resultou numa parceria que já completa dois anos. “Escolhemos o software, porque é compatível com todas as câmeras da Panasonic. Tem facilidade de controle, emite vários relatórios, se houver incidentes, tem o mapa sinótico, que é um ponto importante tanto para o poder público como para a iniciativa privada”, afirma o engenheiro sênior da Divisão de System Solution da Panasonic do Brasil, Luís Sérgio Corrêa.
Segundo o especialista, representantes das fábricas da empresa no Japão vieram conhecer a Systrade e o produto, por causa do reconhecimento sobre sua eficiência.
Na carteira nacional da Systrade ainda figuram clientes das áreas de segurança do poder público e da iniciativa privada. Entre os municípios atendidos, estão Camaçari (BA), Cubatão, Hortolândia, Mogi das Cruzes, Praia Grande (SP), São José dos Pinhais (PR), Novo Hamburgo e Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), e mais 100 cidades. Na lista de empresas, constam nomes como Alcan Alumínio do Brasil, Astra, Banco Toyota do Brasil, Casas Bahia, Chocolates Garoto, Grupo Gerdau, Siemens e Votorantim Cimentos, totalizando mais de 900 clientes com mais de 10 mil licenças comercializadas.
De acordo com o coronel Vânio Luiz Dalmarco, coordenador do Sistema de VÍdeomonitoramento Urbano da Secretaria de Segurança Pública e Defesa do Cidadão de Santa Catarina, a funcionalidade do Digifort é uma característica importante do produto. “O software é utilizado pela segurança pública, nos municípios de Florianópolis, Balneário Camboriú, Criciúma, Itajaí e Joinvile, onde apresenta uma série de rotinas em tempo real, que nos auxilia na segurança, principalmente com a versão recente, que tem o mapa sinótico”, diz.
O software deverá ser implementado ainda neste ano em mais 4 municípios. “Além do monitoramento urbano, iniciamos o contato com empresas privadas, que já possuem sistema de vídeomonitoramento IP. A proposta é conectar seus sistemas ao da Polícia Militar e das Centrais de Emergência. Dessa forma, utilizando o Digifort, além de sinais de alarme, é possível acessarmos imagens das ocorrências em tempo real nesses estabelecimentos”, informa.
O empreendedorismo da Systrade, com o Digifort, também começa a ganhar reconhecimento regional. Em junho deste ano, foi um dos destaques do Prêmio Desempenho, coordenado pela Revista Livre Mercado, no qual concorre para os Melhores do Ano. A empresa ainda aposta na constituição do Arranjo Produtivo Local (APL) de TI&C de São Caetano do Sul, no qual já integra o projeto-piloto.
Digifort Evidence foi lançado em junho deste ano A linha Digifort ganhou mais um produto em 2008. Em junho, a Systrade lançou o Digifort Evidence, um software gerenciador e organizador de vídeos e documentos, com sistema help desk da área de vídeomonitoramento. “Com a experiência da demanda de nossos clientes, percebemos que seria útil criar um produto para arquivar imagens de eventos importantes, de forma organizada, com classificação, a fim de ser subsídio para estatísticas, auditorias e averiguações”, conta Carlos Bonilha. Segundo o empresário, hoje uma das dificuldades neste setor é justamente ter esse controle sistematizado (SSR). |
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